domingo, 1 de julho de 2018

Dos dedos impunes




Teus dedos são ladinos.
Não dizem não nem consentem.
Nem apontam nem desapontam.
Teus dedos são felinos.
Guardam unhas para o ataque.
Atacam com a defesa dos leões.
Teus dedos nem deixam impressões.


segunda-feira, 25 de junho de 2018

Coração beija-flor




O coração pulsa
qual coração de beija-flor.
Pulsa e bate asas.
Balé aéreo.
Dança entre flores.
Ritmo próprio.
O próprio ritmo.
O beija-flor voa.
O próprio coração.



quarta-feira, 6 de junho de 2018

Dos abraços



Abraço tem que ser apertado
feito nó de gravata
e curativo de esparadrapo


terça-feira, 5 de junho de 2018

O Bem e o Mal



Poucas palavras e se faz poema.
Vida se faz com suavidade e muito prazer.
O Bem sozinho se faz.
Quem somos para fazer o Mal? Quem?



sexta-feira, 18 de maio de 2018

Flor de maio



Não amou a flor ontem?
Hoje ela secou.
Amanhã seca você.


terça-feira, 17 de abril de 2018

Dicianopóstigo




libertalhengo
angustionário
cabritelóbico
artesantares
reinalbitúrico
espasmarias
aeronfórdico
maiastolegia
porbelicísio
marinotrágica
gramacopélvio
pertanbolisa
eticetrônico
poetassílaco



sábado, 7 de abril de 2018

Apendicite




Algum verso canhoto rasga a pele.
Não nasce poema. Jorra sangue.
Engodo seminal. 
Apêndice cecal.
Há dor no poema extirpado.
Inútil. Inócuo. Insano.
Contorcionismo sem moral.
Malabares e trapézios.
O circo. O domador. O mago.
O palhaço. Clown sem rima nem graça.
O poeta. O profeta.
Pleonasmo. Redundância. Tautologia.
A linha de corte.
O fim da linha.
O medo. A morte.
Sem anestesia. 
Cirurgia abdominal.
Apendicectomia.