quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Em se plantando, tudo dá



Da noite e do dia,
do ser ou não ser,
da cela ao escancarado portão,
do não e do consentir,
ao trocar os pés pelas mãos,
da matéria prima até reciclar,
do amor à indiferença,
por mal traçadas linhas,
nas quebradas do mundaréu,
céu, inferno, céu,
da zona cinzenta à luz vermelha, 
pelos desertos ou nas represas,
uma estrada, o hospício, a lanterna,
de momentos e sempiternos,
dos líquidos aos gases,
da solidificação até o éter,
da vida e da passagem,
da morte e das paragens,
do silêncio ou da melodia,
de todos os homens a todas mulheres,
tudo dá poesia.


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Tatuagens



Minhas tatuagens são cicatrizes.
Marcas que vira e mexe sangram.
E a tinta vermelha que se faz corte
é da mesma matiz que censura o verbo.
Minhas tatuagens são corações e âncoras.
Profundas e rancorosas.
Rasgam a pele como singram mares,
riscam rumos tal qual emoções.
Minhas tatuagens imaginárias.
Linhas tropicais e meridianas.
Desenham poemas, rascunham sóis 
e dispensam maiores comentários.


domingo, 19 de fevereiro de 2017

Boa morte




Que medo
da folha em branco
Paúra
do meu vazio
Secura
no leito frio
Da morte
do velho rio
Brandura
de toda sorte
Medida
da boa morte.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Velhas promessas




novas palavras me encantam
tanto quanto
velhas promessas me enganam

Entreato




É quando eu me entrego ao chão
e encontro seus pés, mulher,
e beijo a pele que a liga à mãe-Terra.
É nesse entreato que se colam
a sua, a minha, toda a vida.
É no arrepio ou nas cócegas
onde moram o prazer e o riso.
É na procura ou no gesto
quando queimam o desejo e a fusão.
É no silêncio ou na música
que entoam o gemido e a palavra.
É no encanto ou no encontro
de quem faz amor com gosto de mel.

Medusa






(para Stéfani Garcia)

É meu o que não é meu
e em mim vive e vivifica.
Tua força, minha força.
Teu amor, meu amor.
Tua irmã, meu irmão.
É teu o que não é meu
e em mim vive e vivifica.
Meu amor, teu amor, meu irmão.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Quatro pães




Abaixo da linha da miséria.
Quatro pães.
Até a linha do Equador.