sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Do absurdo




Cenários além do palco.
Protagonistas sem papéis.
Bilheterias de mil-réis.
O drama das mil farsas.
Faces maquiadas de poder.
No proscênio vivem conflitos. 
Detritos sem indulgência.
Onde era arte, obra o deslize.
O teto deságua.
As paredes desfalecem.
O prédio esfarela.
O pano não cai.




sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Urbi et orbi




na surdina,
passou pela porta.
na surdina,
a luz apagada.
na surdina, 
dedilhou a chave.
na surdina, 
ganhou a rua.
na surdina,
a garra do lobo sob a luva.
na surdina,
o instinto sangrou a cidade.
na surdina, 
ganhou o mundo.



segunda-feira, 25 de dezembro de 2017

Ecos




Pai é uma palavra que ecoa.
Pai é palavra que evoca.
Pai é uma palavra que convoca.
Pai. 
Assim é. 
Uma palavra tão boa 
que convoca, 
que evoca, 
que ecoa...



Sorriso




Havia uma boca inteira.
Onde havia um único dente.
Havia um sorriso inteiro.
Onde havia um único dente.
Havia mulher inteira.
Onde havia um único dente.
Só não havia poesia onde havia um único dente.
Havia fome onde havia um sorriso inteiro.



segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Leve




Não ocupa espaço a poesia,
feito vácuo
na balança dos seus dias.



quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Da morada no olhar




Aquilo que mora no olhar.
E nem sempre os olhos veem.
Abraço afeto antigo e rico.
E o poder não corrompe.
A fronte a estampa a marca.
E sem pudor nem memória atua.
A força que une verbo e homem.
E nem toda força do universo provê.
Aquilo que faz morada atrás dos olhos amigos.



domingo, 3 de dezembro de 2017

De lírio



Era lírio.
Era flor.
Era forte.
Era assim.
E tão assim que era toda.
Um jardim de flor única.