quarta-feira, 6 de junho de 2018

Dos abraços



Abraço tem que ser apertado
feito nó de gravata
e curativo de esparadrapo


terça-feira, 5 de junho de 2018

O Bem e o Mal



Poucas palavras e se faz poema.
Vida se faz com suavidade e muito prazer.
O Bem sozinho se faz.
Quem somos para fazer o Mal? Quem?



sexta-feira, 18 de maio de 2018

Flor de maio



Não amou a flor ontem?
Hoje ela secou.
Amanhã seca você.


terça-feira, 17 de abril de 2018

Dicianopóstigo




libertalhengo
angustionário
cabritelóbico
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reinalbitúrico
espasmarias
aeronfórdico
maiastolegia
porbelicísio
marinotrágica
gramacopélvio
pertanbolisa
eticetrônico
poetassílaco



sábado, 7 de abril de 2018

Apendicite




Algum verso canhoto rasga a pele.
Não nasce poema. Jorra sangue.
Engodo seminal. 
Apêndice cecal.
Há dor no poema extirpado.
Inútil. Inócuo. Insano.
Contorcionismo sem moral.
Malabares e trapézios.
O circo. O domador. O mago.
O palhaço. Clown sem rima nem graça.
O poeta. O profeta.
Pleonasmo. Redundância. Tautologia.
A linha de corte.
O fim da linha.
O medo. A morte.
Sem anestesia. 
Cirurgia abdominal.
Apendicectomia.



sexta-feira, 6 de abril de 2018

Haikai da Liberdade




Paralelas. Transversais.
Liberdade, Liberdade.
O mapa feito haikai.



segunda-feira, 2 de abril de 2018

Sortilégio paulistano




Sortilégios, escaramuças.
Um gigante é moinho de vento.
Matarazzo, Lunardelli, Martinelli.
Tão ricos que dobram consoantes.
Por quem dobram os sinos?
No largo São Bento, por mim.
Magia branca empoada.
As ruas cantam brecadas.
Não é semáforo, é um farol.
Onde o barco aproa, o trem range.
Sinfonia de maritacas, periquitos barulhentos.
Repete o papagaio:
_Quem é? Quem é?
Respondo de imediato:
_Um poeta paulistano.