sexta-feira, 18 de maio de 2018

Flor de maio



Não amou a flor ontem?
Hoje ela secou.
Amanhã seca você.


terça-feira, 17 de abril de 2018

Dicianopóstigo




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sábado, 7 de abril de 2018

Apendicite




Algum verso canhoto rasga a pele.
Não nasce poema. Jorra sangue.
Engodo seminal. 
Apêndice cecal.
Há dor no poema extirpado.
Inútil. Inócuo. Insano.
Contorcionismo sem moral.
Malabares e trapézios.
O circo. O domador. O mago.
O palhaço. Clown sem rima nem graça.
O poeta. O profeta.
Pleonasmo. Redundância. Tautologia.
A linha de corte.
O fim da linha.
O medo. A morte.
Sem anestesia. 
Cirurgia abdominal.
Apendicectomia.



sexta-feira, 6 de abril de 2018

Haikai da Liberdade




Paralelas. Transversais.
Liberdade, Liberdade.
O mapa feito haikai.



segunda-feira, 2 de abril de 2018

Sortilégio paulistano




Sortilégios, escaramuças.
Um gigante é moinho de vento.
Matarazzo, Lunardelli, Martinelli.
Tão ricos que dobram consoantes.
Por quem dobram os sinos?
No largo São Bento, por mim.
Magia branca empoada.
As ruas cantam brecadas.
Não é semáforo, é um farol.
Onde o barco aproa, o trem range.
Sinfonia de maritacas, periquitos barulhentos.
Repete o papagaio:
_Quem é? Quem é?
Respondo de imediato:
_Um poeta paulistano.



sábado, 31 de março de 2018

Testamento




Eu, Jorge Stark, no meu perfeito juízo e entendimento,
Livre de qualquer coação, 
Deliberei fazer meu testamento
Como efetivamente o faço, sem constrangimento.
Nasci em São Paulo. Sou brasileiro. 
Com quase sessenta anos de idade.
E uns poucos feitos, nem todos certeiros.
Distribuo meus bens aos seguintes herdeiros. 
Deixo para meus amigos a avenida Paulista.
A Vila Pompéia eu deixo para os artistas.
O Edifício Itália fica para os poetas.
A Praça da República, para os caetanistas.
Para os fiéis, estendo a Freguesia do Ó.
A São João deixo aos incertos e não sabidos.
A Barra Funda será para os bem-nascidos.
Dedico às minhas parcerias a Bela Vista,
Mas só para aquelas que o chamam Bexiga.
Àqueles que me serviram deixo o Canindé.
Finalmente, aos que me amam resta o Araçá,
Onde poderão marcar comigo mais um café.




quarta-feira, 28 de março de 2018

Do inferno




A cela escancarada.
A tela da prisão.
Não há para onde ir.
Não há como escapar.
Um inferno inteiro a percorrer.
Crateras morais, fogo fátuo.
Fato consumado.
O último estádio de putrefação.
Escamas escaras escórias.
Um inferno avulso a conviver.
A morada dos nobres ímpios.
Sem saída nem perdão.