domingo, 28 de setembro de 2008

dois haikais




acidentalmente
me encontrei
no oriente



incidentalmente
abracei
o sol nascente

sábado, 27 de setembro de 2008

Palavras




Palavras soltas
Palavras presas
Palavras mortas
Palavras vivas
Palavras quentes
Palavras frias
Palavras fortes
Palavras vazias
Palavras duras
Palavras fáceis
Palavras puras
Puras palavras...

domingo, 21 de setembro de 2008

Três crônicas e um sermão (a Lourenço Diaféria)



Conheci Lourenço antes de conhecer Lourenço Diaféria. Na igreja Nossa Senhora do Rosário da Pompéia, falando aos adolescentes. Já o admirava quando o descobri jornalista. Passei a idolatrá-lo (logo ele, tão simples, tímido até) quando foi preso pela ditadura militar, em 1977, após escrever a crônica “Herói. Morto. Nós” em que narrava a morte do sargento Silvio Hollenbach que, no zoológico de Brasília, atirou-se no fosso das ariranhas para salvar um menino.

Dois anos depois fui fazer faculdade de jornalismo. Nunca deixei de ler Diaféria. Anos depois, quando resolvi ter meu “Jornal da Pompéia” (meu e do meu amigo Morandini, que andorinha só não faz verão), o número um do jornal trazia uma crônica do Lourenço Diaféria, presente aos jovens editores. Tristemente, o “JP” durou pouco, mais vítima dos planos econômicos do que da previsão do cronista que desejava vida longa ao tablóide – se ele passasse do primeiro ano.

No ano passado, passeando em uma dessas megalivrarias, comprei um livro do Diaféria contando a história do Brás, bairro paulistano onde ele viu a luz. Deliciosa crônica de vida e história da minha querida São Paulo.

Esta semana, me contaram que Lourenço morreu. Vou para o Google encontrar uma foto dele para postar aqui. Coisa engraçada. Entre tantas, uma imagem de Jesus.Descubro “O Sermão da Montanha” recontado por Lourenço Diaféria. Esqueci a tristeza: os dois cronistas estão juntos, em algum lugar do Paraíso. Que não fica nem tão perto, nem tão longe do Brás que a gente não possa se encantar com o destino dos bem-aventurados...