terça-feira, 18 de novembro de 2008


De pensar que a vida é certeza perdemos a noção da própria vida. É tão difícil aceitar o inevitável. Vagamos por uma avenida sem rumo ao imaginar que o caminho está traçado. Desconsideramos o implausível. Sequer o livre arbítrio nos absolve do imponderável. Só existe uma verdade: se quisermos ser superiores à mudança devemos ser mutantes. Jogar o jogo sem regras. Viver a vida que se apresenta momento. Especial e totalmente, buscar o Bem. Fazer o Bem. Pensar o Bem. E jamais desistir do Bem. Peço licença à Poesia. A vida me mostra no presente que a miopia é menos cruel que a apatia. Não miro a estrela neste momento: guardo apenas meus olhos naquilo que está ao alcance de minhas mãos. Obrarei, trabalharei, moldarei esse presente com a Caridade e a Bondade possíveis. Depois é apenas futuro.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

LUTO












Recebo triste
Nota de falecimento futuro
São indefesos
São muitos
São tantos
Em perigo
Vulnerável
Crítico
Ameaçado
Mico-leão-dourado
Morcego-do-cerrado
Arara-azul
Saúva-preta ,
Águia-cinzenta
Perereca-verde
Tartaruga-oliva
Albatroz-real
Jaguatirica
Pixoxó
Sabiá-castanho
Pintassilgo-baiano
Veado-bororó-do-sul
Maria-catarinense
Maria-do-nordeste
Maria-da-restinga
Macuquinho-do-brejo
Sagüi-da-serra
Tico-tico-do-campo
Cobra-de-vidro
Besouro-rola-bosta
Borboleta-palha
Flamenguinho
Soldadinho
Mono-carvoeiro
Gravatazeiro
Papagaio-de-peito-roxo
Gavião-do-rabo-preto
Bacurau-de-rabo-branco
Beija-flor-das-costas-violetas
Inhambu-carapé
Gato-do-mato
Baleia-jubarte
Onça-pintada
Suçuarana
Ariranha
Bugio
Macaco-aranha
Muriqui
Logo-guará
Jorge-stark


segunda-feira, 3 de novembro de 2008





Um lápis rabisca as letras
Da palavra escrita

Risca, não risca, risca...


Uma borracha apaga as marcas
Da palavra não-dita

Fica, não fica, fica...


Uma tristeza lamenta as horas
Da palavra perdida

Vida, não vida, vida...