sábado, 31 de janeiro de 2009

Ideias (sem acento)




As ideias são voláteis. Diluem-se em segundos. Se você tem uma idéia, corra. Escreva. Registre. Marque. Mude o anel de dedo. Amarre um laço no pulso. Mas não perca. Uma idéia é um presente da sua inteligência em parceria com a sua intuição.

As melhores coisas da vida são como boas ideias. Vejam os amigos: amigos a gente escolhe. Vejam os anjos: os anjos escolhem a gente. Vejam os amores: amores são escolhas.

Amigo não tem cor, não deforma nem solta as tiras. Acompanha a gente feito sandália havaiana, é só convocar e sair em parzinho. Guarde seus amigos como as suas idéias. Não os perca de vista.

Anjo não tem sexo (mas faz, pois o sexo é divino). Tá sempre por perto. Respire: você quase puxa um anjo pro seu pulmão. Se ele estiver distraído, faz turismo pelas vias respiratórias, Mas não nos perde de vista.

Amor não tem definição. O verbo amar é presente, passado e futuro. Mas o melhor é quando o verbo se conjuga como se fosse plural: amares. Se amares como tens ideias, saberás manter o teu amor – nunca sem a ajuda da intuição e da inteligência.

sábado, 24 de janeiro de 2009

São Paulo, 455




Com a sua licença, quero falar um pouquinho de São Paulo. Um tantinho mesmo, pois se eu desandar a paulistanear eu só paro no quinto volume das minhas aventuras e desventuras na desvairada pauliceia.

São Paulo é meu coração. Quando São Paulo fez 450 anos, consegui emplacar um poema que acompanhou fotos em uma exposição. Orgulho de quem nasceu na Maternidade São Paulo. E minha única meta de longevidade é chegar aos 94 anos para ver o Quinto Centenário. E com saúde, comendo bolo de 500 metros no Bixiga. Outro dia revisitei a Freguesia do Ó, na época em que nasceu o Frangó – a melhor coxinha de São Paulo.

Na semana que passei na cidade, literalmente me perdi na Pinacoteca. Em frente a um quadro da Tarsila marejei os olhos. Brecheret parecia me acompanhar pela visita. Na minha vila Pompéia tomei todos os cafés que tinha direito, sempre correndo pra cima e pra baixo e tendo a igreja de Nossa Senhora do Rosário como referência. Na Pompéia onde morava Lourenço Diaféria – esse, cronista da cidade tal qual Alcântara Machado.

Estou chato? Só mais um pouco de paciência. Se eu não falar que fui à Mooca comer pizza no Ângelo eu não sossego. E que descobri novos atalhos na Liberdade e no Brás também. E fui ao Ponto Chic, ao Hocca, ao Okuyama, ao restaurante do Masp. Engordei, claro, de felicidade. Na Sé comprei um livro esgotado e senti uma saudades danada do sebo do Gazeau e de seu gato branco. Pesquise no Google. Talvez descubra algo sobre eles.

Aí, quando eu falo em livros, sinto meu coração apertar na lembrança das livrarias que meu avô teve na 7 de Abril, vizinhas dos Diários Associados do Chatô. Eu o vi ao menos uma vez. Como vi a rainha Elizabeth. Como vi Adhemar de Barros. Como vi Jânio Quadros. Como vi Lula. Henfil, Betinho, Silvio Santos, Raul Seixas, Chacrinha, Pelé... Comovido de tantas emoções que São Paulo me deu, prometo não ser mais piegas nem chorar.

Mas não resisto em falar sobre a fotografia que eu não tirei da alvorada vista a partir do cemitério do Araçá, olhando para as Perdizes. Papai, que está lá dentro me esperando, sabe do que falo. Às vezes, nos álbuns das nossas memórias, as mais belas fotos foram aquelas que não tiramos. Do mesmo jeito que as declarações de amor que demoramos a pronunciar e que às vezes somos obrigados a transformar em oração.


São Paulo faz isso comigo. São Paulo é meu coração. São Paulo é minha oração.


quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Xamãs




anime-se

alme-se

ame-se

dizem os xamãs


dizem os xamãs

que chamas

na noite

sem chamas


da escuridão

a sombra vai

vem o plantio

da luz


do solo

brota o ovo

vem o vôo

da águia


e o palhaço

o bobo da corte

o coringa

ganha vida


mudança:

a hora

agora:

esperança


seus xamãs te chamam...





segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Virgens




O toque lírico
O tato lúdico


O olho mágico
O halo esférico


O dia fálico
O texto fático


O salto alto
O marco histórico


Virgens...


sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Noturno





Sou filho da noite
Nasci em horário nobre
E na madrugada me formei
Nem rico nem pobre
Apenas noturno...

Conheço as fases da lua
Sou conhecido das putas da rua
Não faço versos ao acaso
Mas ao ocaso...

Sei quando um raio corta o negror
Da noite
Sei quando um gemido rompe
Seu silêncio
Sei dos segredos guardados
Em seu seio
Sei de seios e de rumores...

Não guardo fim para as histórias
Da noite
Não abro mão de suas reminiscências
Nem sei
Se tenho direito a memória...

As reticências explicam
Como este filho da noite renasce
A cada hora noturna:
Passeio assim desnorteado
Mas certo de caminharNa vida, desarmado.



quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

2009




Bom dia, 2009.
Quero dizer, boa tarde. Afinal, uma das vantagens do reveillon é ter desculpa para acordar depois de meio-dia. Meio dia... Quer dizer que metade do dia já foi. Metade do primeiro dos 365 dias que nos esperam para trabalhar, estudar, brincar, viajar, ficar, ir, voltar, sorrir, chorar, sorrir...
Apenas para não deixar em branco, é bom passar alguns recados para 2009:
Não seja um ano chato
Não seja um ano complicado
Não seja um ano temido
Ao contrário:
Seja um ano amigo
Seja um ano leve (sem ser diet)
Seja um ano inesquecível
Pois nós precisamos de paz, amor, alegria, luz e felicidades para os seus próximos 364,5 dias.