domingo, 21 de junho de 2009

Jorges





Jorge santo
Jorge tanto
Jorge seu
Jorge meu
Jorge sim
Jorge não
Jorge são
Jorge tão
Jorge só
São Jorge
São jorges...



quarta-feira, 17 de junho de 2009

Da noite para o dia




De noite, samba. De dia, bolero.
De noite, criança. De dia, velho.
De noite, esperança. De dia, espero.


sexta-feira, 12 de junho de 2009

São Paulo é ...


São Paulo é uma presença que me cerca. Nasci paulistano. Na Maternidade São Paulo, é claro. Como tantos e tantos outros paulistaninhos e paulistaninhas. Na rua Frei Caneca, Bela Vista. Bixiga. Assim, e sem contestação, paulistano eu sou. E paulistano serei sempre.

Acordo e ouço os versos da música de Billy Blanco, “São Paulo que amanhece trabalhando. São Paulo que não sabe adormecer...” na Jovem Pan. São Paulo é música.

À noite, pela tevê, assisti ao futebol. Como é grande o Morumbi. Oxítono. Como o Pacaembu. E sei que a cidade tem são-paulinos, corintianos, santistas, lusos, gremistas, fluminenses, atleticanos, arapiraquenses... São Paulo é futebol.

Eu sou palmeirense, “com muito orgulho, com muito amoooooooooor. Dá-lhe, dá-lhe dá-lhe porco...” Sou palmeirense de olhar para o gol das piscinas do Parque Antártica e me emocionar. Saber que lá, atrás do parque da Água Branca, tem uma típica cantina italiana comandada por um japonês. São Paulo é mistura. Fina.

É engraçado: quando eu era criança, sonhava ser prefeito de São Paulo quando crescesse. Cresci. E ainda morro de vontade de ser prefeito de São Paulo. Meu sonho depois de ver os 450 anos da cidade e estar vivo no quinto centenário. São Paulo é sonho.

As notícias da manhã são mornas como o café com leite. E enquanto passo manteiga (de verdade) no pão, lembro do tempo em que a gente recebia o leite em litro de vidro com tampinha de alumínio. Morávamos na Praça Marechal Deodoro. Sem Minhocão. Com o Cine Miami. Perto do Cinema São Pedro, que eu vi morrer cinema e renascer Theatro. Poderoso. Com te-agá. Devia ser 1966. Pelo menos, o fusquinha azul do meu pai era um legítimo meia-meia. Ótima safra. Lembro do cheiro do carro, voltando da Praia Grande pela Avenida do Estado. Quantos buracos. Quanta felicidade. E quando chegava perto do Mercadão. Que lindo. Quando eu for prefeito de São Paulo, dou um jeito naquele trânsito e vai ficar mais fácil ir ao Mercado Municipal. São Paulo é memória.

Por falar em memória, não me saem da cabeça os nomes de alguns lugares paulistanos. Jaraguá. Interlagos. Trianon. Raul Pompéia. Gondoleiro do Amor. Da Mooca. Da Barra Funda. Da Memória (essa ladeira...) Direita. 12 de Outubro. 15 de Novembro. 25 de Março. 23 de Maio. Santos Antonio, João, Francisco, Amaro, Joaquim, Judas, Jorge. Santas Rita, Clara, Maria, Marina, Branca, Eudósia. Os pássaros de Moema. Os índios das Perdizes. As árvores de Mirandópolis. Avenidas, ruas, vielas, alamedas, praças, largos, parques. São Paulo é plural. São Paulo é Sampa.

Então, enquanto escovo os dentes, divirto-me em saber que a avenida Paulista “apresenta trânsito carregado” e que a marginal do Tietê, no sentido Lapa-Penha, “está lenta na altura da Ponte das Bandeiras”. Para namorar, eram 23 quilômetros de Oeste a Leste, da Vila Pompéia à Vila Guilhermina. Casar na capela da PUC. Batizar no largo de Nossa Senhora do Ó. Viver no Centro. Dormir no Araçá. São Paulo é fé.

No corredor do apartamento eu tenho uma fotografia em branco e preto do Caetano de Campos. O querido Instituto de Educação Caetano de Campos, que quando minha mãe estudou era a Escola Normal e quando eu me formei já tinha um “Estadual” antes do “Caetano”. Do segundo andar, criança, eu vi Elisabeth, a rainha da Inglaterra, acenar. Também lembro dos estudantes protestando do lado de fora, quando Camões recitava em O Estado de S. Paulo sobre notícias censuradas. Anos depois, ouvir Paulinho Nogueira tocar no velho auditório onde recebi meu primeiro diploma, e chorar de emoção. São Paulo é isso.


E muito mais. Zoológico. Ibirapuera. Planetário. Bienal. Monumento das Bandeiras. Borba Gato. Copan. E-di-fí-cio Itália. Pirâmide da Fiesp. A Gazeta do Cásper Líbero. O Banco do Estado. Martinelli. Masp. MAM. MIS. Miau: O Gato que Ri. Salada Paulista. Pizzaria São Pedro. São Paulo é um dois, feijão e arroz.

Enquanto me penteio, lembro os poetas de São Paulo. “Comoção da minha vida”. A minha deles e a minha, minha também. Lembro o sebo do Gazeau na Praça da Sé. Lembro dos Diários Associados na 7 de Abril. Lembro meu avô na livraria dele na 7 de Abril. Lembro meus ídolos. Meu pai. Adoniran. Elis. Senna. Lembro até o que eu não vivi. Lembro tanto que me esqueço da hora. O rádio me lembra: “Vam’bora vam’bora... olha a hora vam’bora vamb’ora...” São Paulo é pressa.


Ajeito a gravata. Apanho o paletó. Na sala, despeço-me de outras fotografias de São Paulo. Rua São Bento na década de 30. O bonde dos operários em 1927. A panorâmica noturna com a Lua namorando a cidade em 2001, feita pelo Alex Salim, turco-mineiro-que-mora-perto-do-legítimo-Ponto-Chic. Fecho a porta. Desço as escadas. Entro no carro e fixo o olhar no retrovisor onde descubro uma lágrima de garoa.

São Paulo é vida.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Procura-se



É sério: procura-se namorada. Para o cargo, há algumas exigências.
Que tenha bom humor. Que faça bem amor.
Que seja honesta e verdadeira. Preferencialmente solteira.
Que tenha os olhos de criança e o corpo de mulher.
Que saiba cozinhar pequenas delícias.
Que não se importe em cozinhar pequenas delícias.
Que goste de cinema. Que ame música.
Que tenha bom gosto musical – especialmente MPB.
Que use perfumes suaves e penetrantes.
Que seja intensa e suave como os perfumes.
Que ajude a decorar meu apartamento. Mas que não imponha a decoração.
Que me dê canetas de presente. E roupas que combinem comigo.
Que não me dê uma carteira grande com segundas intenções.
Que não me dê uma carteira grande e vazia com terceiras intenções.
Que seja bonita. Educada. Fina. Gostosa. Discreta.
Que não seja perua, nem em sonho.
Que tenha unhas para arranhar minhas costas sem arrancar sangue.
Que tenha uma tpm aceitável. Pode ter silicone nos seios mas o resto, original de fábrica.
Que brinque com meus dedos. Que goste de mim.
Que não tenha limites entre quatro paredes. Que entenda os limites além das quatro paredes.
Que saiba fazer malas. Que saiba fazer doces. Que saiba fazer graça.
Que não goste de me deixar sem graça.
Que seja uma profissional feliz. Pode até ser atriz. Dispensa-se meretriz.
Que não tenha preconceito. Mas que tenha todo jeito.
Que me deixe sem jeito ao confessar suas paixões.
Que me inclua entre as suas paixões.
Que tenha pequenas receitas para uma vida saudável.
Que não fale muito de médicos, doenças, remédios, tragédias.
Que seja ciumenta na medida certa.
Que tenha certas medidas certas.
Que não tenha vícios maiores que os meus.
Que goste de pequenas ousadias.
Que goste de ousadias médias.
Que adore as grandes ousadias.
Que goste de beijos nos pés. Que goste de beijos nos joelhos. Que goste de beijos.
Que não seja calorenta. Mas que seja quente.
Que desfile na minha frente.
Que tenha belas pernas. Que tenha belas palavras. Que tenha belas ações.
Que tenha atitude. Que seja firme. Que seja sutil.
Que tenha uma bela lembrança infantil.
Que não tenha vergonha de passear nua em Tambaba.
Que me faça babar em Tambaba.
Que seja independente, mas me chame para trocar o pneu.
Que me ajude na hora de trocar o pneu.
Que tenha sonhos próprios. Que os compartilhe. Que tenha sonhos comigo.
Que sonhe comigo.
Que goste de animais. No zoológico.
Que goste de animais. De pelúcia.
Que goste de animais. Mamíferos.
Que goste de animais. Como eu.
Que viaje comigo sem reclamar do jeito como dirijo.
Que reveze comigo no volante e me faça dormir.
Que não grite ao se deparar com uma celulite.
Que aceite minhas rugas e me poupe de cremes.
Que não gaste barris de xampu. Que goste de tomar banho junto.
Que entenda um pouco de futebol.
Que aceite os meus amigos. Inclusive os separados.
Que seja paciente comigo. Que não me faça esperar sem prazer.
Que ria com facilidade. Que chore de felicidade.
Que me mime, que me nine, que me ame.
Que goste de ser mimada. Que goste de ser ninada. Que goste de ser amada.

Para tudo isso, procura-se uma namorada.



(Este pequeno compêndio de licenças poéticas e côncavo brilho é dedicado à Única&Exclusiva, aqui neste blog encontrável)

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Universos




Como flores

Explodem universos

Em cores


Como sóis

Explodem poemas

Universais