sábado, 29 de agosto de 2009

nova




Mulher nua

a lua não é

mais tua...



quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Sinais




Umas poucas palavras
Tão suficientes

Um riso
Um sorriso

Mãos toques
Choques

Águas
Cafés

Tanto viver
Quanto ser

Poema
Poesia

Letra e música
Melodia

Mandalas e xamãs

Um canto: encantar
O violino: sonhar

Mais um sonho impossível
Mais um olhar sensível

Quantos sinais
Tantos sinais...



sábado, 22 de agosto de 2009

Meu amigo


Fiz um novo amigo. Um amigo do povo-em-pé.


Escolhi e por ele fui escolhido entre centenas de árvores e centenas de homens que caminham pelas trilhas com ou sem destino. Um eucalipto nem baixo nem alto – uns sete, nove metros –, nem moço nem velho, nem frondoso nem nu, nem imponente nem tímido.


Uma árvore com parte do tronco descascado que, num abraço, abriga meu rosto com carinho na lisa alma e me aceita e me afaga e me recebe com um calor solar. Depois de encontrar o novo amigo, as sombras das outras árvores passaram a me confortar com suave frescor – e não mais o medo do escuro. As árvores maiores e as menores respeitam-me quando por elas passo, como se dissessem: “lá vai um ser de duas pernas nosso amigo”. Arbustos mostram-se floridos e flores incomodadas por pássaros e abelhas pontuam a trilha por onde caminho. As encruzilhadas não mais me desafiam: passaram a fazer parte da minha jornada e as escolhas tornaram-se nada difíceis.


Meu amigo do povo-em-pé empresta-me suas raízes para eu encontrar as minhas. Faço delas a atração dos meus antepassados que, singelos como as folhas secas que cobrem o chão em volta do meu amigo, circundam meu coração e atendem meu pedido de respostas às minhas dúvidas, às incertezas, às perguntas recorrentes que eu persisto em buscar-lhes verdades. Uma dessas folhas, deu-me meu novo amigo de presente; ela agora mora discreta junto com pequenos ramos que decoram e energizam minha morada. Forma-se assim uma rede de presença e comunhão entre as forças da natureza. Uma força saneadora, saudável, positiva e encorajadora passa a conduzir-me.


Por tudo isso agradeço a amizade concedida pelo eucalipto, esse ser que brota entre os demais membros do povo-em-pé e deles se distingue por ser o meu amigo. O amigo que me tornou irmão e, irmão, aceito pela Mãe Terra como filho legítimo e amado.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Amanhã



Havia mais que uma lua matinal.

Matinal, intrometida,

ousada, encantadora.


Havia mais que um poema matinal.

Natural, improvisado,

desperto, encantado.


Havia um santo são Jorge.

Havia um santo dragão.

Havia uma santa lança

e uma história a viver.


Havia mais que a manhã.

Havia amanhã.