segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Radiografia

Caderno de poezias



Não houve máquina

que revelasse

o meu interior.



Se minhas chagas secaram

e as cicatrizes se foram,

por dentro era apenas o mistério.



Qual teu mal?

Qual teu remédio?



Corte e remendo:

Na cirurgia intestina,

nenhuma marca de minha sina.



De pouco valeram radiografias.

A escrita das tuas unhas perdeu a cor,

perdeu a tinta e nada, por dentro,

nada se encontrou.



Troquei o tumor da tua existência

pelo temor da tua lembrança.

O medo não se revela em chapas.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Mar Vermelho X

(Diário de bordo, impressão final)



qual a rota da nossa dorida jornada...

qual o farol da nossa luz?

qual mar atravessaremos

quantos mares

quantos pares

até nos entendermos mitos

da nossa própria verdade?

,

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Mar Vermelho 9

(Diário de bordo)




Gotas de suor escorrem


Gotas do mar a brisa traz


Condensam gotas úmidas nas paredes


Gotas se fundem no vítreo mistério


Uma ou outra lágrima era lágrima


assim como


um ou outro homem era homem...

sábado, 20 de novembro de 2010

Mar Vermelho 8

(Diário de bordo)




Nem tudo o que vemos é o que vemos

Nem todas as palavras que ouvimos

é o que entendemos

Nem tudo o que lemos, entendemos

Nem tudo o que nos escrevem é real

Nem todas as imagens percebidas são sombras

Nem todas as sombras são ausência de luz

Nem todo mundo real é real

Nem tudo que se imagina é irreal

Nem toda postura humilde é de humildade

Nem toda prepotência é prepotente

Nem toda paciência é infinita

Nem todo infinito pode ser

Naquela noite, nem toda escuridão era silenciosa

e nem todo silêncio calava...

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Mar Vermelho 7

(Diário de bordo)


Meus dedos estão ralados.

O corpo, dolorido.

A minha alma, lavada.

As águas do Mar Vermelho

me abriram os olhos:

O sonho do sonho é viver...

 
 
.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Mar Vermelho 6

(Diário de bordo)




Eu vi a vida em bolhas de ar.

O aquário do meu pai.

O mar do meu irmão.

O amor das minhas filhas.

A fé da minha mãe.

Quantas bolhas me deram vida...


,

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Mar Vermelho 5

(Diário de bordo)



Um céu oriental

Um sol oriental

Um mar oriental



Onde acabam nossas fronteiras?

domingo, 7 de novembro de 2010

Mar Vermelho 4

(Diário de bordo)




O por do sol


me traz a dúvida:


qual o lado árabe?


qual o lado israelita?


qual o lado certo?


O fundo do mar me responde:


o lado de dentro...

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Mar Vermelho 3

(Diário de bordo)





Músicas que não conheço

Danças que não conheço

Homens que não conheço

ensinam-me:

a alegria é universal.

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