terça-feira, 28 de dezembro de 2010

fronteiras

(caderno de poezias)



onde a mão alcança

os dedos tocam

a fome avança

e rompe a fronteira



onde o pensamento vaza

os medos brotam

o tempo passa

e risca a fronteira



onde o mundo estanca

os homens param

a esperança espanta

e rasga a fronteira



onde o nada perece

os mortos vivem

a vida esquece

e resta a fronteira

...

domingo, 26 de dezembro de 2010

Qual

(Caderno de poezias)



Qual sonho que vive dentro de nós
Qual fantasia nos alimenta
Qual fantasma nos persegue
Qual desafio nos enfrenta
Qual dúvida nos assola
Qual certeza estremece
Qual erro repetimos
Qual acerto se esquece
Qual motivo declaramos
Qual medo nos abandona
Qual atitude nos redime
Qual poema absolve?

 
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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

RUAS DE SÃO PAULO

(Caderno de poezias)




Ruas de São Paulo


Ruas que me levam


Ruas que me trazam


Ruas que me lembram


Ruas de rezar


Ruas de pecar


Ruas de andar


Ruas de parar


Ruas sombreadas


Ruas assombradas


Ruas de memórias


Ruas de história


Ruas íngrimes


Ruas planas


Ruas plenas


Ruas circulares


Ruas sem saída


Ruas interrompidas


Ruas alargadas


Ruas alagadas


Ruas vivas


Ruas vazias


Ruas anônimas


Ruas famosas


Ruas comerciais


Ruas de lazer


Ruas de comer


Ruas de beber


Ruas animadas


Ruas calmas


Ruas floridas


Ruas cinzentas


Ruas lisas


Ruas enrugadas


Ruas políticas


Ruas artísticas


Ruas executivas


Ruas generais


Ruas sem patentes


Ruas imorais


Ruas indecentes


Ruas liberais


Ruas liberadas


Ruas imortais


Ruas amadas...
 
 
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terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Haikai dorido

(Caderno de poezias)


A noite esparge suores
Sêmens e pólens
Procriam dores

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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Silêncios

Caderno de poezias





Às vezes escrevo,
outras, extirpo.
Todas, renasço.
Algumas, revivo.
Às vezes escravo,
outras, liberto.
Faço do poema
meu melhor grito
de liberdade.




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domingo, 5 de dezembro de 2010

Bússola

(Caderno de poezias)





Pois a rosa dos ventos


perdeu-se na noite.


Pois o astrolábio


não beijou ninguém.


Pois a temperatura


era quente, infernal.


Pois não havia escolhas


nem sequer caminho.


Pois o melhor a fazer


era poesia...


sem rumo, mas poesia.


Pensando bem, para que a bússola?


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