terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

O lado de dentro


Caderno de poezias



Há um lado mais sensível
- o lado de dentro.
Dentro habita a verdade.
A verdade é matéria-prima rara e cara.
Desvios, atalhos, remendos
Arremetem de fora para dentro.
Dor, cegueira, cânceres
Brotam de fora para dentro.
Tênue vácuo.
Silente gesto.
Morte moral.
A cara e rara verdade oprime o peito arfante.
Pouco – nada – valem as pupilas lágrimas.
Gotas desculpas tinta mal gasta.
A dor da tua irmã mentira é mentira.
A verdade rara e cara é a verdadeira dor.
Do lado de dentro.
A verdade e a verdade sabem doer.
Não acusam falsárias falácias,
desdenham das ilusórias ilusões,
eternizam-se no sempiterno vazio.
Sabem doer.
Sabem doar.
A verdade cara doa a quem a dor dói.
Não há nem haverá poesia esta noite.
Não haverá poeta, não haverá musa.
Não haverá canto, nem dança, nem rito, nem nada.
O universo encontra seu fim na volta ao Criador.
Cria a dor.
Há um lado mais sensível
- o lado de dentro.

O lado que dói…



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2 comentários:

Renata Diniz disse...

Fantástico. O lado de dentro é sempre mais inquieto. Porém, mais criativo.

Batom e poesias disse...

"A verdade e a verdade sabem doer."

Você é raro, poetinha.
bjs

Rossana