segunda-feira, 24 de outubro de 2011

certos dias


 certos dias parecem noite
o sol não abre os olhos
o pesadelo não acorda
não há perfume
não há desejo
não há sequer ruídos
o silêncio fere
o vácuo pesa
o infinito encolhe
sem poesia
sem vida
sem esperança


certos dias são natimortos
com horas amorfas
e seres de uma flacicez feroz
não têm calor
não têm anseios
não têm razões
a face enruga
o olho cego
garganta muda
sem voz
sem som
sem não até


certos dias foram feitos
para o nascer do falso
no horizonte da morte
sem piedade
sem fé
sem sorte...




2 comentários:

Batom e poesias disse...

E assim ou pior foi esse meu dia também.
Natimorto!

Outros nascerão!

bj
Rossana

Meu Filho sem Nome disse...

Que dia!
Cruzes, que vida comprida
Pra que tanta vida pra gente desanimar.