domingo, 9 de outubro de 2011

Mimetismos





Desloca-se entre os homens
Sem homem ser
Rasteja entre os calangos
Sem ser réptil
Mescla-se à paisagem
Nem folha, nem árvore
E no cenário do teatro
Esconde-se entre as cortinas.

Não tens forma certa
Nem cor
Nem ocupas lugar no espaço.

Não és da natureza
Nem da terra
Sequer do planeta.

Macróbrio, micróbio
Penetra nos seres
Injeta, envenena
Seivas viscosas, pruridos
Pegajosos unguentos fluidos.

Sorrateiro.
Poderoso.
Camuflado.
Imiscuído.

Só não resistes ao fino fio
Da alma pura que te estanca
Lâmina que te revela, talha, corta, disseca, aborta
E expõe tua incerta e dissimulada forma morta.


Um comentário:

Rossana Masiero disse...

Eu vim...
Só não sei o que dizer.

Mas eu vim.
bj

Rossana