terça-feira, 29 de março de 2011

Sem limites


Caderno de poezias



Há fronteiras invisíveis.

Há sensíveis limites.

Há a frente e o verso.

Há o universo.



A flor, a flor brota sem limites.

O sol, o sol nasce sem limites.

As cores não têm limites.

A vida, a vida vive sem limites.



A pena escreve sem limites.

A pauta canta sem limites.

As artes não têm limites.

Sem limites os artistas.



A vista avista sem limites.

O vôo voa sem limites.

Horizonte não tem limites.

A luz, a luz, a luz... sem limites.



Plural e singular sem limites.

Verbo e sujeitos sem limites.

A semântica e a gramática ilimitadas.

As palavras não têm limites.



O masculino e o feminino não têm limites.

Os acenos, os sinais não têm limites.

Obscenas e sem limites,

As cenas dos cinemas não têm limites.



Nem dúvidas nem certezas têm limites.

Nem o Bem, nem o Mal.

Deus, sem limites, criou à sua imagem e semelhança

Os amantes sem limites.

domingo, 27 de março de 2011

Carta-poema para minhas filhas

Caderno de poezias



Cuidem das crianças.


As crianças tudo observam.


As crianças questionam.


As crianças percebem.


As crianças são aprendizes de nós.






As crianças crescem.


Por isso, cuidem das crianças.






Cuidem dos seus filhos.


Eles pedirão em voz alta.


Eles pedirão em voz baixa.


Eles pedirão em silêncio.






Cuidem das suas crianças.


Elas amam em voz alta.


Elas amam em voz baixa.


Elas amam em silêncio.






Cuidem dos seus amores.


Eles pedem.


Eles cobram.


Eles dão.






E cuidem, minhas filhas, cuidem de vocês.


Vocês, lindas crianças.


Vocês, lindas crescidas.


Vocês merecem...

sábado, 26 de março de 2011

Carta-poema aos meus ancestrais


Caderno de poezias



No princípio era o verbo.


A ação de parir o dia, fazer a luz, apagar a escuridão.


Homens e mulheres em aprendizado divino.


A vida brota.


Os pares, ímpares.


Gerações se sucedem.


O aprendizado agora é humano.


A vida cresce.


A terra, a casa, o quintal, a árvore.


O sol e a sombra.


Fotografia e aquarela.


A vida lembra.


O aprendiz agora sou eu.


Olho em volta e busco meu caderno de poezias.


O capítulo inicial, o novo verbo.


Faço do poema uma declaração de amor aos homens.


Faço da poesia uma declaração de amor às mulheres.


Uma pomba traz no bico um ramo de paz.


Emocionado, venero meus ancestrais.


Não quero viver à toa.


A vida vem, a vida vai, a vida voa...





sexta-feira, 25 de março de 2011

Ponto e linha


Caderno de poezias



A vida não é ponto.


A vida é linha.


Apesar de tantos pontos fazerem a vida.


A vida não é ponto, a vida é linha.


Reta, curva, sinuosa, paralela, oblíqua.


A vida é linha.


Eu desfio a vida.


Novelo.


E com zelo, tricoto pontos.


Teço tramo cruzo aponto desponto.


A vida não é ponto.


A vida é linha.


E sobre ela eu escrevo um mais poema triste...




quinta-feira, 17 de março de 2011

Itinerários

(num guardanapo imaginário)



Saí da Pompeia
Fui para a Madalena
Fui para o Paraíso
Fui para a Mariana

Saí da Mariana
Fui para a Liberdade

Saí da Liberdade
Fui para São Bento

Saí da São Bento
Fui para Tietê
Fui para Carandiru
Fui para Santana
Voltei para Carandiru
Voltei para Tietê

Saí da Tietê
Fui para Mariana

Saí da Mariana
Fui ao Aeroporto
Voltei para Mariana
Fui à Sé
Fui à Barra Funda
Fui à Pompeia

Voltei, São Paulo, voltei...