segunda-feira, 16 de maio de 2011

Miltextos

Do caderno de poezias, para Mariza



Querida amiga, continuo igual.
Nem bom nem mau.
Continuo insistente.
Ou persistente.
A sutil diferença entre o chato e o idealista.
Continuo poeta.
O que não quer dizer grande coisa na prática.
Mas continuo nesta vida.
O que me garante dispensar a necessidade de médium.
E tento continuar criativo.
O que me mantém vivo.
Tenho dispensado o dinheiro.
Na verdade, ele tem me desprezado.
Estou cada vez mais longe dos bens materiais.
Começo a me acostumar com os espirituais.
Em outras palavras, estou mais para lá que para cá.
Já passei da metade do caminho.
E ainda assim não dispenso carinho.
Já passei da metade da jornada.
E nem assim dispenso a piada.
Mantenho o bom humor.
Mantenho a dignidade.
Coisas difíceis nesta idade.
Respeito meu inferno astral.
Por bem ou por mal.
Escrevo torto por linhas certas.
E em certas linhas entorno o caldo.
Afinal cautela e caldo de galinha nunca fazem mal a ninguém.
Tenho tido muita coragem na vida.
Inclusive para desligar o controle remoto.
Tenho tido alguma audácia.
Inclusive para me rotular pelo que penso que sou.
Mesmo assim, não tenho coragem para dançar.
E quando canto, espanto os males e quem está em volta.
Pouca coisa me revolta mais que a injustiça.
E nenhuma mais me entristece que a ingratidão.
Por isso agradeço aos amigos e às amigas de plantão.
E vou poupá-los de tanta vaidade
– que ao reconhecê-los vira orgulho.
Então mergulho em meu pensamento puro
E entrego miltextos para o infinito.
Muito pouco, para quem quer sempre mais.
Mas bastante para quem vive de poesia.

Beijos, Jorge.

sábado, 14 de maio de 2011

Castelo de areia


Caderno de poezias



O castelo de areia
Nada, quase nada, apenas um pouco
De dor
Guarda
Na fragilidade dos dias
Na sutil e imprecisa passagem das vinte e quatro horas
Na ilusória duração dos momentos
O castelo de areia
Nada, quase nada, ao menos um grão
De vida
Guarda
Na incerteza dos tempos
No vai-e-vem dos cometas e das estações
Na hora do Angelus
O castelo de areia
Nada, quase nada, apenas um risco
De amor
Guarda
Na corajosa empreitada
Na arquitetura do castelo
Na construção do improvável
Acumulam-se grãos de areia, lírios e sonhos.






sexta-feira, 6 de maio de 2011

Oração



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