terça-feira, 3 de julho de 2012

máquina de escrever



as teclas do meu sonho, vez por outra,
engripam no atropelo mecânico das hastes metálicas
giram na margarida bem-me-quer dos tipos
e esbarram num retrocesso quase memória
nasci remington, cresci olivetti,
hermes adolescente, amadureci práxis
contei, rimei, discorri, discursei, amei
desamei, derramei, verti, escrevi, apaguei
d-a-t-i-l-o-g-r-a-f-e-i uma vida passada a limpo
na ilusão de que, com papel carbono, 
seriam gêmeas as nossas emoções...

Um comentário:

Renata Diniz disse...

Eu também datilografei. Bom demais reviver a memória. Abraço!