segunda-feira, 16 de julho de 2012

meteoro




de que me vale a polêmica
se as minhas verdades são tão anêmicas
quanto as serifas das minhas letras...

é esse movimento que eu canto,
cigarra,
o trabalho da formiga
-- e fujo da briga sem medo de tropeçar nas pedras do caminho

transformo em poema
medos e credos e conceitos e teorias
encaro a estética,
o livre-pensar,
o certificado retangular enquadrado e emparedado,
o certo e o errado,
enfrento a ética,
a falácia,
a falsidade ideológica
e uns tantos lugares-comuns

vejo águias e enxergo pardais,
uso e abuso dos símbolos
fálicos - inclusive - 
e conto os sonhos que tive
e os que eu não tive,
compromisso com a verdade

persevero no azul da água
insípida inodora incolor
e juro por tudo quanto é mais sagrado
a inocência do culpado
e o tédio do entediado:
prefiro a ausência da vaidade
à verdade da audiência

solicito gentilmente ao dragão plantonista
que confira, na lista,
o lugar que ocupo na fila:
traço uma espera em ponto e vírgula
com a sensação de que minha vez passou
como minha voz

e nesse momento decido,
entre o vazio e o nada,
fazer do espaço atalho,
pontilhar de asteriscos a jornada
e chamar de estrelas o que é sonho...


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