quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Aquém-mar




No centro do continente, a milhares de quilômetros da costa,
vivem criaturas humanas, soturnas, reais,
a sonhar com uma imensa bacia de lata
cheia de água salgada a que -- contou um viajante --,
assemelha-se o mar...

 

O mar é o oceano.

O oceano é vasto.

Infinito aos olhos.

Surpresa vaga.

O mar tem vagas.

É azul. É verde. É escuro.

As vagas vêm ao encontro dos olhos.

Franjas brancas despenteadas.

Rebeldes bolhas de sabão.

Sem sabão.

O mar tem muito de belo.

E um tanto de divino.

Deus toma banho no mar.

As vagas, as ondas são parte da Criação.

A propagação infinita do divino banhar.

A vida do mar.

O mar tem vida.

Peixes. Algas. Crustáceos.

Abissais.

Cavalos-marinhos.

Leões-marinhos.

Azul marinho.

O mar tem a cor dos olhos de Deus.

Deus lava os olhos no mar.

Por isso, a água do mar

é salgada pelas lágrimas de Deus.

O Todo-Poderoso criou os peixes no Gênesis.

E as plantas do mar. E o próprio mar.

O Todo-Poderoso criou o homem no Gênesis.

E as florestas. E o firmamento.

O Todo-Poderoso criou homens que viverão

-- e morrerão -- no mar.

O Todo-Poderoso criou homens e mulheres

que morrerão sem ver o mar.


Por isso, as lágrimas de Deus salgaram as águas dos oceanos. Por se apiedar das criaturas que olham as bacias e sonham com um infinito de ondas, peixes e sonhos marinhos.

 

 

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