sábado, 17 de novembro de 2012

Novembro



Novembro.

Um café na frente, a mesa redonda, o mármore.

O frio engana.

Há um desfile de personagens.

Um ladrão e uma anoréxica.

Uma prostituta e um adolescente.

A mente desenha o roteiro.

Cuidadosamente.

Cenário: uma paisagem sem cor.

Preto e branco, cinzas.

Talvez espíritos, talvez criaturas.

Falam. Conversam.

Vivem conflitos.

Abastecem a imaginação.

Homens e flores. Mulheres e aços.

No domínio do improvável.

Tornam-se elos. Cirandam.

Há uma mulher transformadora.

Há um homem transtornado.

São personagens. São verdades.

São água fogo terra ar.

Elementais.

Formam casais.

Ocupam minha mente enquanto o café esvai.

A mesa fria. A noite quente.

Olho em volta.

Solitário, latente.

A certeza toma a frente.

É o momento.

Não sou mais eu.

Sou o quinto elemento.

 

 

 

 

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