segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Poema de segunda-feira




Sol é uma abstração que fura a cortina.
O dia é realidade em sombras.
Hoje é segunda-feira, 
dia santo - mas, nem tanto.
Hoje é somatória de todos hojes de ontem.
Hoje é dia como qualquer outro,
mas é segunda-feira.
Brilham olhos ao futuro.
Livramo-nos do domingo e,
ao mesmo tempo,
recomeça a contagem regressiva.
Carros ganham as ruas, 
carros lotam ruas.
A nudez não foi castigada.
As flores de sábados murcharam.
O samba virou notícia.
As pessoas estão vestidas.
Os olhos são espelhos nos elevadores.
Rugas olheiras ramelas cílios lágrimas secas.
Os olhos são espelhos; os espelhos, desejos.
Pontualmente inócuos.
Telefones em greve. Trabalhadores no metrô.
A urgência do sorrir: a estátua ri de mim,
divertida e fria: para ela, sou estátua viva.
Há pouco tempo. O tempo é agora.
A segunda-feira estátua.
A segunda-feira estulta.
A segunda-feira estática.
A segunda-feira agora.
Dia santo, mas nem tanto...


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