sábado, 8 de dezembro de 2012

Amarela




alguma flor amarela
rompe a madrugada
desvirgina a fantasia
transforma a boca em coração
desvirtua a ordem
inaugura canais
abre o livro não lido:
a clausura do improvável
as pontas mais duras do seu chicote
o sonho a força o gozo
a disciplina escorreita
a moral e os bons costumes
os queixumes, azedumes
o prazer, esse inesperado
companheiro do vazio...
a história em versos
sem pudor -- e por isso história
o drama se reproduz
em farsa comédia falsete
tuas cantigas acalantos
ninar...
um capítulo na alma
um risco no corpo:
suas cicatrizes fecham o pranto
dos seus olhos cegos.

Desperta a manhã
e colhe flores amarelas
num jardim virginal,
real...

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