sábado, 29 de dezembro de 2012

Das aspirinas e do ano novo




Três espirros, um arrepio.
Mezzo resfriado, mezzo mussarela.
Que me perdoem os gramáticos,
os revisores, os perfeccionistas.
Minha idéia não consegue ser ideia.
E muçarela ofende o teclado.
A pronúncia também.
Pergunto-me: onde andará a poesia
no ano que entra?
Tateio a lua em forma de carinho.
Respondido?
Colho flores amarelas em fotogramas digitais.
Respondido?
Ajunto promissórias e promessas.
Respondido?
A vida não para. Nem esquece.
A vida tem uma grande memória.
A vida é elefante.
Computadores têm grandes memórias.
Computadores são elefantes.
É lógico. Como a vida.
Passam pelo coador idéias (sic) e pó de café.
O espelho insiste em ressaltar rugas e olheiras.
Uma noite mal dormida, afinal,
pode ser um novo poema.
Durma pouco e escreva matinal.
O café rescende poesia.
A borra pede perdão.
Perdoai, ó seres, os meus erros.
E livrai-me dos abutres. Das catrunfas.
Dos chatos e dos intolerantes.
Livrai-me do mau humor e dos tumores.
Livrai-me das cólicas renais e da conjuntivite.
Sem pudor, desejo um ano regado ao nudismo.
Entregue à simplicidade.
Amável. Amoroso. Amistoso.
Um ano em que os pequeninos herdem o Reino dos Céus. 
E que os pequenos se enxerguem.
Desejo um ano não-sabático.
Um ano não-bissexto.
Um ano de felicidade plural.
Um ano anônimo e bem frequentado.
Sem mantras e mentiras.
Com estrelas e luas.
Sóis, um para cada dia.
Noites e modéstias. Diversidades.
Calores. Toques. Presente.
E enquanto as horas passam,
os dias vão e os segundos lembram,
leve consigo a esperança e um pote de aspirinas.
E não se esqueça: em caso de emergência, quebre as regras.


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