segunda-feira, 28 de maio de 2012

Parabéns a você





sou Jorge e não sou santo
sou da resistência
sou da penitência
sou da noite, noturno
e sou do dia, soturno
sou da poesia
tal qual sou da boemia
ainda sou
de escrever em guardanapos
ainda sou 
de me perder pelos caminhos
ainda sou 
de me pegar mirando estrelas
também não abandonei
o meu sonho impossível
e nem os possíveis, que tanto tento
e tento e tento e tento tanto...
canto no corredor do supermercado
e desafino até no chuveiro:
nego-me a não cantar
canto para mim
canto para tudo
e para todos canto
de novo: tanto
que não canso de tentar
minha melodia é teimosia
minha teimosia é música
não fecho para balanço:
apenas brinco
na gangorra da mente
de pesar perdas e ganhos
e no escorregador do tempo
de contar cada grão de vida...









quinta-feira, 24 de maio de 2012

de silêncios e de olhares







há olhos que silenciosamente quebram o silêncio
há olhos que deliciosamente completam o vazio
há olhos que desavisadamente contam o segredo
há olhos que ingenuamente dispensam o olhar


de olhares e de silêncios, 
o que era quieto queimou fogo
o que era aéreo pairou flama
o que era etéreo brilhou raio
o que era fluido vestiu chamas


há silêncios que dizem tudo...







terça-feira, 22 de maio de 2012

pausa




aos entreatos do tempo
a vida ensina,
a vida insiste,
a vida encena.


faz sentido ao poeta
fazer das pausas, dos intervalos,
 do tempo entre o soluço e o luzir,
o espaço incerto de ser aprendiz.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Sonhos




Olhos camuflam-se ao escuro
rompem o negror
saltam para o cenário
vasculham a estrada
percorrem os quatro cantos do poema
encontram razões para insistir
e seguem instintos, rumores, indícios
até se tornarem espelhos.
Enquanto isso, 
pelo caos, pelos cacos,
pelo que resta do sonho
a vida esparge leite e vinho
pelas veias da loucura:
teus olhos são teu ponto de vista.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

contar histórias




cimento por leito
me deito
semente na mente
me deixo
celeste por cima
me encanta
sonhar histórias
me conto
criar figuras
me encontro
parir criaturas
me farto
rede sem peixes
me solto
memórias dispersas
me lembro
frases de efeito
me alcançam
vestes rituais
me vestem
fogos de artifício
me queimam
águas virtuais
me afogam
amores mortais
me afagam
finais felizes
me cansam
diversas matizes
me pintam
como não sou
me disfarço
coração de aço
me perco
no espaço, no espaço, no espaço


domingo, 13 de maio de 2012

das mães de todos os dias




não é perfume
não são colônias 
lavandas
nem outros florais
que dão saudade...
o olfato não se engana:
é o cheiro de pão torrado
que se sente e faz derreter 
feito a margarina que cobria o miolo...
é cheiro de amor de mãe,
mãe de todo dia
mãe de todos os dias
mãe que se basta
mãe que se supera
mãe que cria
mãe que espera
mãe que torra pão
mãe que ama a gente
mãe que a gente ama...


sábado, 12 de maio de 2012

das mudanças




um pedaço de esperança
brilha minha estrela interior
um pedaço de esperança
do tamanho da minha fé
um pedaço de esperança
embebido de energia
um pedaço de esperança
visível à luz do dia
um pedaço de energia
movido a luz e vento
um pedaço de esperança
em forma de movimento
um pedaço de esperança
que eu sempre tive
um pedaço de esperança
me nasce, me cresce, me vive



sexta-feira, 11 de maio de 2012

movimento




arregalam-se os olhos
incessantemente,
captam imagens reais,
traçam roteiros imaginários


os ouvidos registram sons
ruídos, interferências
 - a trilha sonora real 
tem mais buzinas que cantigas


os dedos acariciam o papel,
sentem sua textura,
seguram a caneta 
e rascunham um poema


com cheiro de emoção
tem gosto de prazer,
de atitude e de corpo...
é movimento chamado vida




domingo, 6 de maio de 2012

Duas luas



Uma lua em gêmeos ensina
que a prosa não é o verso
do verso
que a prosa é falante
como o verso
que a prosa é cantante
como o verso
que a prosa é vibrante
como o verso
quea prosa é mutante
como o verso
que a prosa é instante
como universo

Uma lua em gêmeos
é o pensamento
é o movimento
é o novo
é o sempre
é o junto
é o duplo
é o tudo
ou nada

Uma lua em gêmeos equilibra
a razão da paixão
até saber que não sabe

Uma lua em gêmeos embebeda
a liberdade
e embriaga
a imaginação
até o milagre de se ver
duas luas em gêmeos
ao entardecer


quinta-feira, 3 de maio de 2012

das palavras





palavras frias
palavras fortes
palavras duras
palavras reais...
no meu dicionário de bolso
não cabe angústia
não cabe sofrimento
não cabe palavra incompleta
quero a integridade
quero a completude
quero o infinito
quero as palavras quentes
quero o calor
quero o fervor
quero a fervura
quero até a queimadura
quero assar
queimar tostar esturricar
de paixão e de fome
uma fome sem adjetivo
uma fome por si mesma
uma fome por mim mesmo
palavras vivas...


quarta-feira, 2 de maio de 2012

dia do trabalho do poeta





o trabalho do poeta
tem o encanto do desconhecido
tem o desafio da descoberta
tem a dor do parto
tem a ousadia do pecado
tem a alegria primaveril
tem a energia do novo
tem a doçura da infância
tem o poder da criação
tem o dever da emoção
tem o haver do poema
tem o prazer do leitor...