sábado, 19 de janeiro de 2013

Paulistânia III




Paralelepípedos vestem a rua de cinza
e a chuva rega o piso com efêmeros brilhos.
Nos meios-fios a correnteza acontece.
Águas de janeiro, fevereiro e março.
Águas de sempre. Mágoas de caboclo.
De caipira, de caipora, de matuto, de jeca.
De afros, de bantos, de libertos, de iorubás.
De índios, de mamelucos, de misturas finas.
Mágoas sem preconceitos.
Águas de todas correntes.
Anchieta, onde o mar levou teus versos?
Pelos caminhos do rio que encontra a praia?
Das areias, da ampulheta, do cimento ou da serra?
Do lar ou da lide de Joana. Enfermeiras como Ana.
Marceneiros feito José. Torneiros como tantos.
Ferramenteiros tal qual Santos. Santos como Paulo.
Soldados e cafetinas. Motorneiros ou motoristas.
Eletricistas. Fugitivos. Dentistas. Ajudantes gerais.
Jesuítas. Bandeirantes. Poetas. Paulistas.
Salada mistura bonde lotado de gente estátua vida.
Não sei exatamente onde o poema nasceu,
dizem que foi em São Paulo.
Quem sabe...

Nenhum comentário: