terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Paulistânia IX




A nona sinfonia. 
Inacabada.
Cidade-Estado da angústia.
Acordes. Palavras. Tons.
Que dor pensar nas tuas lágrimas...
Que dor pensar nas tuas trilhas...
Meu espírito vaga.
Avenidas desertas de memórias e de homens. 
Avenidas abertas em raios.
Radiais.
Como sóis. Estrelas. 
Estelas. Dalvas. Vênus. Mírias.
Que a palmilha dos teus pés não se corte nos paralelepídedos.
Não toquem tuas mãos o alto dos arranha-céus mortos.
Araçá. Gethsemani. Lapa. Consolação.
Teus mortos sem tradução.
Teus mortos sem tradição.
Teus mortos sem traição.
Olhos que não veem.
Bocas que não falam.
Ouvidos moucos.
De que adiantam hinos cantigas odes fantasias noturnos à garoa?
As virgens das tuas grutas deságuam pelas tuas ladeiras.
Poemas. 
Um ou outro louco.
Uma caixa registradora.
Um passe de mágica.
Uma infância perdida.
Um ferro quente a ponta rubra o cheiro da carne.
Navalha.
Cidade-músculo.
O braço que abraça, carinha, sustenta: 
Dá-me o braço, amada.
Leva-me daqui para o teu sempre.


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