segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Paulistânia V





É mulher essa cidade.
Metrópole de olhos castanhos.
Correta nas suas curvas,
nos seus montes,
altos e baixos.
Sensual -- mas, sobretudo, sedutora.
Um pudor limítrofe. 
Vergonhas na corda-bamba.
Um bolero, uma guarânia, um samba-canção.
Noite de festa, madrugada aberta.
Garoa destilada a embriagar de prazer.
Sabores perfumes carinhos palavras fotogramas.
A cidade e seus sentidos.
Fêmea de tantos bairros, de tantos retiros,
de redutos e de regaços.
As vestes, retalhos no chão, celebração, rosa-dos-ventos.
Se fosse rascunho essa São Paulo seria a musa
improvável de um poema marginal.
De tão real, a cidade sorri malícias e confessa pecados.
Nenhuma omissão. 
Nenhuma covardia. 
Nenhuma deserção.
Atos de amor.
Atos de amor...


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