quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Paulistânia VII




Onde começa a cidade?
Na Sé? Na periferia? 
Nas avenidas gêmeas?
(tão diferentes, tão iguais)
Onde a esperança espera o bonde?
Onde as palavras grafitam poesia?
Onde nasci, onde vivi, onde morri?
Onde começa a cidade?
Nas oxítonas ruas de Cerqueira César ou
nas ruas indígenas de uma Moema cinza?
Onde começa a cidade?
No vão do Masp, onde esperei Godot?
Ou nas escadarias do Municipal, onde ele nunca esteve?
No Bixiga, onde Adoniram me veio em sonho
ou nos sonhos com o cemitério no Morumbi?
Onde começa a cidade?
No coração humilde da servente da escola?
Na fila dos aposentados?
Na xepa da feira de quarta-feira?
Onde começa a cidade?
Na resposta ambígua quando me perguntam
se sou feliz?
Ou na verdade que alimenta o poema perdido, escrito na contra-mão da eternidade...

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