terça-feira, 13 de maio de 2014

poema abestado




ah, meus queridos,
e queridas minhas,
um poema abestado
nasceu da noite
para ganhar os seus dias...
surgiu do quase nada
para vingar réptil
anfíbio e camuflado
-- nada besta,
esse poema abestado --
e de lendas e de mitos
comeu muita farinha
farofa de banana e aveia
tapioca e malagueta
gemedeira na gamela
gemidos à milanesa
e na lenha do fogão
esquentado
aqueceu-se o poema
abestado
meio sem jeito
outra metade rimado
desprezou a gramática
e entregou-se aos vícios
-- da linguagem --
prolixidade da silva
cacofonia dos santos
mané do plebeísmo
fulano de tal que qual...
e nesse lero-lero
cresceu, viciado,
o poema abestado
que preferia ser abastado
mas por uma vogal se danou
danou-se sim, na crueza
das paixões substantivas
e dos adjetivos apaixonados,
na indecência das predições
e nas premonições indecentes,
no colarinho das tulipas
e nas tulipas embaladas a vácuo
-- então, quis o destino traçado
que numa noite de luau
o poema abestado se disparasse,
subisse ao céu e penetrasse,
sem convite nem trocado,
na grande festa do eterno,
quando enfim foi coroado 
-- por todos os versos e estrelas --
eterno poema abestado.



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