sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Sagrada vaca, malhada sina



A sorte galopa numa estrada de asfalto
atravessa a ponte que liga as almas a Paris
ou Roma ou Cairo ou Amsterdã ou Madri
bebe em Casablanca, se vira em Ancara
e posa para uma foto em Milão.

A sorte é um verso manco e sem caráter.

A sorte mergulha numa piscina aquecida
e no cloro se desfaz em soluços e soluções
linguísticas e verborrágicas,
troca de roupa, muda de lugar
até alcançar o trampolim do pântano.

A sorte é um romance de pouco público e nenhuma crítica.

A sorte pilota um dromedário no deserto
entre tâmaras secas e frutos feito ventres secos,
desprovida de história e sem roteiro
com o máximo divisor comum
e em progressão geométrica dos gases.

A sorte é uma vaca tão longe da Índia que coalhou.


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