quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Ali, na esquina



Estava ali.
Na esquina.
Sutil e discreto.
Perto demais para não se encontrar.
Ao mesmo tempo, de parecência distante.
Ilusões da nossa ótica tão linear.
Miopia, astigmatismo, hipermetropia os males da visão.
A paralaxe do pensamento:
parece, não é, parece.
Ali, na esquina.
Silente. Paciente. Resistente.
Mais observador a observado.
De luz tênue e de cor incerta.
Na certeza incontida.
Contingência da espera.
A Ciência. A Fé. A História.
Tanto conhecimento...
E o infinito brinca de não ser.
Ali, na esquina.
Como epitáfio coberto de limo.
Atento passante o percebe vivo.
Teimoso. Tinhoso. Tempestivo.
E com um sorriso ele o desmancha.
Um ano nos espera. Novo.
Ali, na esquina.



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