sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

De monstros e de reis




Quantos olhos distribuídos pelo corpo.
Dois. Quatro. Oito. Treze.
A trípode pronta para prever o imprevisível.
Dar-se-á a coroa à rainha louca.
O rei de doze patas perdeu a cabeça.
E o primeiro ministro será o último.
Polvos tocam harpa no grande salão submerso.
Cavalieri não morreu.
E nem o sonho é um pesadelo.
É tudo real e cheira mal.
Ventosas em vez de mãos.
Gosmas em vez de suores.
Escorrem tristezas pelo grotesco.
A virgem grávida que se mutila e masturba.
O cavalo alado asado sem voo nem crina.
A vergonha escondida no intestino exposto.
Uma aranha de pelos vermelhos.
Um tronco nu e a carne crua cobre o rosto.
A criatura abissal ao sol sem sombras.
A fratura exposta coberta de sal e alho.
Durante a guerra vomitamos homens.
Mandamos os mendigos à morte.
Violentamos as filhas dos conventos.
Até que a paz se fez tumular e defecou regras heroicas.
Sobre as nossas cabeças disformes morremos monstros e reis.
Nenhum inocente.


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