terça-feira, 26 de abril de 2016

Da mudez da manhã




Recados presos na porta da geladeira.
Contas a pagar. O silêncio branco.
Uma xícara de café fervente.
Um par de chinelos jaz no tapete.
Uma folha a menos no calendário.
Trinta de abril, primeiro de maio.
O futuro que não veio.
O passado que não foi.
As chaves pendem na porta.
A fechadura. Duas voltas.
A maçaneta. O elevador.
No espelho as olheiras denunciam.
No olhar, as renúncias.
O sol escondido em sombras.
Nem rotina. 
Nem retina.
Nem bom dia...



Nenhum comentário: