quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Dos santos últimos dias





Ao último momento da minha vida
terei sonhos, terei desejos, terei vida.
Aos meus santos últimos dias
terei amor, terei poesias, terei noites.
Não se iluda a certeira morte
que a revelia me ataque
ou que eu me borre.
Mais fácil tomar um porre
e outro começar.
Sonhos, vidas, poesia e planos,
eu os tenho e os terei.
Pois eles sou.
Pois são.
Lúcido ou não,
sonharei às últimas instâncias.
Levantarei e andarei por stratus cumulus.
Voarei entre nimbus e gotículas.
Gritarei liberdades e bordões.
Darei risadas trovejantes.
Cantarei desafinado.
Encenarei o primeiro ato.
Até esculpir ou pintar serei capaz.
E farei sempre um poema a mais.
A alegria viverei a cada momento.
O riso há de ser eterno parceiro.
O escárnio pelos covardes.
O desprezo pelos omissos.
O deboche pelos medíocres.
Que delícia ser o que sou.
Na medida ou desmedidamente.
Um ego a conferir.
Um agricultor da luz.
Um haikai, fugaz o tempo.
No máximo, darei trabalho ao seguro.
E viverei de velho.
Mendigo disfarce da criança que não cresci.



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