quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Meu universo




Meu universo é canhoto e limitado.
Escreve torto por linhas certas.
É um pequeno universo e tão grande,
que infinito não lhe cabe em humildade.
Meu universo tem emoção e regra.
Bilateralidades e monoteísmos.
É um universo onde cabem dois
e onde o todo e a parte se entendem.
Meu universo ama e sabe amar.
Guarda segredos e lembranças, 
acorda cedo e dorme tarde.
É um universo notívago.
É um universo proparoxítono.
Meu universo tem vácuos e preenche a vida.
Quisera guardá-lo numa caderneta e levar comigo.
Em forma de poesia, num longo poema.
É quando ele, gentil, aconselha: sou rascunho.
Meu universo parece um mata-borrão.
E me abraça e me consome e me engole como tinta.



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