quarta-feira, 28 de setembro de 2016

O último trem



Meu corpo é um escravo
pronto a se tornar caminho para a maria fumaça.
Meus membros são trilhos
a desenhar a rota única da estrada de ferro.
Minha vida é uma reta
sem direito a desvios atalhos paradas ou sinais.
Os dormentes que me sustentam
crucificam minhas costas e meu destino.
A brita rasga meu tronco,
abre as veias, filtra o sangue e tinge o rumo.
O solo a que chamam pátria é dor
desolação incredulidade desesperança fel.
Sou o último trem.
Sou o último homem.



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