sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Recortes paulistanos



São Paulo em recortes.
Ruelas desaguam em avenidas.
Ladeiras, em memórias.
Os olhos miram as partes.
Admira-se em fatias.
De pizza inclusive.
O céu cortado pelos prédios
um dia chamados de arranha-céus.
Há paredes pichadas.
Moradores das ruas.
Cheiro de mijo.
Pastéis de queijo.
De vez em quando uma buzina
desata o transe.
O transeunte é paulistano inglório.
A letargia desafia as pálpebras.
Um sono que não dorme.
Dragões e bruxas e duendes cheiram cola.
Pilares da pauliceia desvairada e virada ao avesso.
Virado à Paulista.
Faixa de segurança.
Farol vermelho.
Um olho cego, outro no espelho.
O leque oriental enlaça o ocidente.
Travesso moleque anda descalço na São João.
São Paulo sem retoques.



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