sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Dias de frio



Eram dias de frio.
O calor cedia em  gelo cortante.
O espelho embaçava.
Eram dias de apreensão.
Filho enfrenta pai.
Irmão contra irmão.
Eram dias de perda.
Medos em todas as portas.
Temerária senda.
Eram dias ocos.
Procurávamos.
À toa, ao léu.
Eram dias de fuga.
Escorriam homens pelas fendas.
Ratos transbordavam aos ralos.
Eram dias para desintegração.
Do nada éramos talco.
Ao pó voltávamos.
Eram dias inéditos.
Às lembranças eram imunes.
Afrontavam a memória.
Eram dias impunes.
Não se sabiam as penas.
Não se contavam os dias.
E assim eram dias incontáveis.
Esses dias de morte sem sursis.
Sem apelação nem contraprova.


Nenhum comentário: