quarta-feira, 30 de novembro de 2016

A invenção do fruto




da arte de inventar 
ao pecado do inventor

inverto emoções
invento frases

do conceito ao preconceito sem escalas: 
a nossa hipocrisia é inventiva

há de ser o fruto proibido,
o fruto inventado em forma de poesia

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Guerreira




Mulher e guerreira.
Dona de um poema solto.
Livre como o pássaro a voar.
Sábia tal qual a natureza.
Natureza mãe, mãe Terra.
Mulher-Terra.
Uma esfera de acolhimento.
Abraço.
Fera de sorriso armado.
Do concreto dos olhos puros ao abstrato amar.
Gata de sete vidas.
Todas belezas.
Mulher de sete vidas.
Todas certezas.
Ruas enfeitadas esperam seus passos.
Alamedas de luz, avenidas floridas.
O horizonte aberto é história.
História de ternura.
Ternura na vitória sua de cada dia.
Enquanto o tempo batalha pelo futuro,
seu presente é espelho.
Seu passado, a lição certeira.
Mulher guerreira.
Sua hora é sempre.



terça-feira, 22 de novembro de 2016

Ego, Lego



desprovido de razão
falto de juízo
louco
desvairado
e inda dependo do dicionário
pra me definir
tresloucado


Raras palavras




As palavras andam raras.
As boas palavras têm vergonha.
Essas boas palavras são caras.
As palavras não usam anéis.
São tantas palavras guardadas.
Palavras protegidas a broquéis.
Algumas palavras cansadas.
A espera de palavras redentoras.
Salvadoras palavras sagradas.
Não são palavras banais
Palavra de homem, palavra de honra.
Tão belas palavras morais. 

sábado, 19 de novembro de 2016

Por que




Por que viestes manhã sem sol
e sem sol entardecestes?
Por que trouxestes os pães
e em migalhas partistes?
Por que rompestes a linha
e sem horizonte fugistes?


quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Quem




Então eu vejo o vazio e me pergunto quem,
nas pequenas coisas que lembro procuro quem.
São ousadias e impressões digitais de quem
com os dedos toca o íntimo tão quem.
E entre as vias de fato e o vais com quem,
a vida define com sabedoria quem é quem.


Como




Como faz bem ao bem do corpo.
Como faz bem ao bem da alma.
Como faz bem, como faz bem.
Com o calor da cratera
ou com o frio da hera.
Como faz bem ao bem do corpo.


quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Quando




Quando o tempo for então
e então o tempo for quando.
Nunca será tão perto 
nem tão certo será o nunca.
Velocidade e eternidade
se revezarão no agora.



Onde




Onde o céu encontra o mar,
Onde o mar encontra a terra,
Onde a terra encontra o céu,
Onde minha âncora alcança
E meus temores descansam.
No colo da tua serra.


terça-feira, 15 de novembro de 2016

O quinto verso




Se no primeiro verso eu canto a musa
E no segundo verso eu conto o causo
O terceiro verso traz a carência
De saber que o leitor anda sem paciência de


Das aflições do dia




Das aflições do dia não saiba a noite.
Do tempo perdido com o desimportante.
Das favas contadas perdidas.
Do pranto e das pedras.
Da correria e do escorregão.
Do caráter corrompido.
Da corrupção da alma.
Dos mínimos e das migalhas.
Do retalho.
Do remendo.
Do rebotalho.
Dos destemperos e das dissimulações.
Das desídias. 
Das desditas.
Das descidas.
Do desdenho do dia não se turve a noite.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Do tamanho da alma




Era uma alma mui grande.
Era uma alma mui cheia - tal lua.
Era uma alma inteira, 
era uma alma alteira.
Era uma alma de porte.
Era uma alma de sorte, 
era uma alma de arte - quanta arte.
Era uma alma latente.
Era uma alma amante.
Era uma alma gigante.


Sem lua



Como dizer às nuvens
da tristeza da noite
sem luar nem estrelas?


sexta-feira, 11 de novembro de 2016

O poema branco




Abro um branco em meu ontem.
Branco invasivo e agressor.
Branco de vergonhas.
Pudesse eu dobrar o branco em origami.
Torná-lo móbile.
Branquear a noite e a memória.
Fazer do branco, encontro.
E preencher o branco com um conto.
Ou um poema branco.


quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Outra coisa



Era um caso de amor.
Entre o romance e a tragédia.
Um tanto comédia.
Um ponto drama.
Tinha personagens e vidas.
Com nomes de ficção.
O paraíso por cenário.
O proscênio horizonte.
Um roteiro em close.
A paixão grande-angular.
E olho-de-peixe-morto.
A Heróica por tema.
Cai o pano.
E uma solidão epopéica.
Mas isso é outra coisa.

Da História




O tempo pode não ser
o tempo da virtude
e ainda assim é o tempo.
O que nos resta fazer,
senão o reverenciar?
O que esperar do tempo, 
senão a História?


segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Do palco



Mistura sofreres e amores
a vida, estranho cenário,
palco a espera de novos atores



domingo, 6 de novembro de 2016

Da sobrevivência




Sobreviver ao seu plano
foi vencer para mim e para você
ledo engano, ledo engano

Amor de espantalhos



Que a loucura persegue o amor se sabe,
tal qual os desatinos em nome dele e
todas as concessões e todos os desvios
e todos os presságios e todos os senões.
E entre a cirúrgica lembrança e o remédio tempo,
distante da rotas razões e de rebotalhos,
surgirá a sobrevivência dos remendos e
a paixão indecifrável dos espantalhos.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Da última noite




Tem uma dor que a noite traz.
Insiste e persiste.
Finca âncora na lembrança
e um pé sobre o peito.
Desafia e derrota.
Dor rota e indelicada.
Indiferente em si.
Uma dor noite envolta em silêncio
e distância.
Léguas de trilhas desfeitas.
Vulcões.
Vácuos. 
Explosões.
Quem dera a dor dormisse.
Quem dera a dor aurora.
Quem dera a dor matinal.
Mas não.
Insiste e persiste a noite dor.
A dor noite.
A dor final.



Pedras polidas




Eram pedras mais polidas
que pessoas.
Ajustavam-se paisagem.
Construíam palácios.
Combinavam aos pares.
Pedras polidas, 
muito mais do que pessoas.

Guilhotina



O frio de lâmina.
Olhar que corta
Feito guilhotina.