domingo, 30 de abril de 2017

Do poder



Se posso morrer, posso viver.
Pois um é certeza e outro, desejo.
Se posso colher flores, espalhar espinhos posso.
Pois se posso escolher, escolhido posso ser.
Posso dançar sem saber, eu posso.
Como posso escrever, penso que posso.
Minhas certezas cristais, posso.
Mentiras posso desobedecer.
Posso desobedecer verdades.
E tanto e tão certo e tudo é poder.
Pois posso viver certo de que posso morrer.


Último de Abril



Acabou abril.
Eu não vi.
Quem viu?

domingo, 23 de abril de 2017

Notícias do outro lado




Vieram notícias do outro lado.
Do muro.
Olhos curiavam o outro lado.
Do outro.
Estranhezas e outros mitos.
Do lado.
Segredos e outras visões.
Dos outros.

Notícias do nunca



Nunca foi tão dura a História.
Nunca.
Nunca foi tão fria a indiferença.
Nunca.
Nunca foi tão próximo o vazio.
Nunca.
Nunca foi tão distante o próximo.
Nunca.


domingo, 16 de abril de 2017

Mandinga



Encruzilhada perfeita.
Uma cidra e um charuto.
Velas de cores vivas.
Prato de barro.
Farofa de ovo.
Pimenta malagueta.
Ladrão na nossa terra
vai arder com o capeta.



quinta-feira, 6 de abril de 2017

A poesia encravada




Feito unha.
A poesia encravou.
Rasgou a pele.
Transpassou a derme.
Alcançou o músculo.
Tocou os nervos.
Arrancou sangue.
E nem assim jorrou.




sábado, 1 de abril de 2017