sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Poema pirata





Nasceu poema pirata.
Embebido em rum.
Em vez de perna de pau,
um verso de pé quebrado.
Em vez de olho de vidro,
coloridas lentes de contato.
E nem assim a realidade luzia.
Eram absurdos e mudos.
Eram tolices em série.
Eram corsários e bucaneiros.
Flibusteiros. Malasartes.
A arte dos mentirosos.

Nasceu poema pirata.
Parido de sete meses.
Quantas vezes oceanos?
Perigo de sete faces.
Quantas vezes amores?
Pirata dos sete mares.
Quantas vezes estrofes?
Tremulante desatino.
De bandeiras e caveiras.
De pilhagens e pilhérias. 
De tesouros e histórias.

Nasceu poema pirata.



sábado, 12 de agosto de 2017

Viajeiro




Viajeiro, viajante
vem de longe, vem distante
cada légua uma cantiga,
cada cantiga um lamento
de estrada, de caminhos,
tanto só o viandante
quanto cavaleiro andante
este errante peregrino
vai pra longe, vai pra sempre
tão sem rumo, sem destino,
viajeiro, viajante.



quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Da poesia




No último quartel do dia.
Quando onde nada existia.
Roubaram o que havia.
Tornaram oca e vazia.
A esperança vadia.
Da farsa democracia.
Apartada ousadia.
Vão encher o rabo de azia. 



Não sei



Tem um não sei não se sabe onde.
Tem um não sei não se sabe como.
Tem um não sei não se sabe quanto.
Tem um não sei não se sabe o que.
E assim, de quando em quando,
Ficamos não sei nem sabemos porque.